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S''Ninguém nasce mulher, torna-se mulher'' há mais de setenta anos Simone de Beauvoir já havia compreendido que nada é mais importante para a validação de uma mulher perante a sociedade do que a performance de gênero. A feminilidade não está diretamente ligada ao fato de  um mulher ser mulher, seja ela cis ou transgênero, a feminilidade está ligada ao quando a sociedade pode controlar nossos corpos. Meninas têm regras impostas aos seus corpos ainda na barriga da mãe.
      É menina? Enxoval rosa
      Nasceu? Tem colocar brinco
      Estude! Mas não muito senão não arruma marido
      Roupa curta? Nem pensar, isso coisa de puta
   Trabalhe, mas não ganhe mais do que o marido, isso o deixa frustrado
       Trans? O que é isso? Quem tem pênis é homem.
       Apanhou porque mereceu!
     Ser mulher é ter sua legitimidade questionada diariamente se você não corresponder a um padrão de feminilidade, padrão esse estabelecido nos 30 e 40. Essa é a idéia de mulher que ainda perpetua na sociedade, a ''dona de casa perfeita'' de vestido godê, lábios vermelhos, saltos altos que está sempre a disposição do marido. Uma mulher que não trabalha, não estuda e não tem os próprios sonhos, uma mulher moldada sob medida para  servir uma sociedade patriarcal e ainda agradecer com um sorriso doce.

Caroline Muniz

MARILYN MONROE E JESUS CRISTO

MARILYN MONROE E JESUS CRISTO

 

Um possível diálogo  com práticas sociais e culturais, sem abordar teorias feministas e pós-estruturalistas, deixariam assim de falar dos processos de dominação que ocorreram e que subjugaram os corpos femininos, homossexuais, trans e não-brancos a um determinado sistema normativo. As matrizes da sexualidade passam por uma estrutura reguladora e que faz parte da construção de um violento imaginário social que se conserva enquanto projeto produtor de diferenças sexuais e de padrões binários. Questões que se inscrevem na contemporaneidade e para este texto, onde os estudos queer/cuir e as questões do feminismo sugerem uma subversão às escrituras sociais, através das práticas de representação do corpo na arte 

Amora Ju

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A modernidade-capitalista-patriarcal-ocidental-branco-cis-hetéro-cristão-colonial é um projeto de aniquilação de mundos que começou em 1492, um projeto de destruição onto-epistêmica de outras civilizações, de outras formas de ser e estar no mundo, de outros corpos (humanos e não-humanos) que como não são capazes de serem assimilados a máquina de moer mundos, são transformados em coisas, em corpos abjetos.

O princípio organizador da modernidade é a destruição da outridade, é a transformação de corpos em pedras (YUSOFF, 2019), em commodities, é a transformação da vida em não-vida.

Cassandra Moira Costa Moura

© 2021 por Caroline Muniz

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